sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Por que o rock nunca morre? The STRUTS mostra pra você

Ano de 2018 acabando, ano difícil pra todo mundo, crises, eleições, polarização, brigas em famílias, no facebook, copa do mundo que parece até que foi anos atrás, mas e o rock nisso tudo? Já falei aqui do Greta Van Fleet no início do ano, um sopro de esperança rock and roll incensada pela comparação com o Led Zeppelin, mas escutei muito os caras esse ano, gostei do novo disco, mas a sensação que me ficou foi de uma boa banda que ainda tem muito que evoluir e torço por eles, desejando mesmo que eles venham, também aqui para o Rio fazer um sideshow do Lolla, quem sabe...
segundo disco da banda Struts, UM DOS MELHORES DO ANO. Fonte: divulgação.
Mas confesso que o que mais me empolgou nesse final de ano, não foi uma banda que eu acompanhava ou conhecia de verdade. Não. Foi uma banda que já esbarrei aqui ou ali com resenhas (sempre positivas, thanks Collector's Room!), menções do twitter (valeu Loquijo Panama!), até meu irmão começou a postar direto do spotify que estava ouvindo os caras....mas não parei para escutar de imediato. Não sei se o nome não me chamou atenção, THE STRUTS, wtf? Ou se foram apenas as comparações com o Queen, que voltou a entrar em órbita de ascensão pelo filme de Freddie e banda, Bohemian Rhapsody....

Novo Queen? Ora, vamos com calma...novos Zeppelins sempre existiram e existirão, mas emular Freddie é algo de outro mundo/plano....

Mas sendo honesto, não tinha lido as resenhas de forma completa e atenta. o Struts não trazia no seu pacote glam rock, indie rock, hard rock somente referências, timbres de voz, hinos de arena, semelhantes a banda de Mercury, May, Taylor e Deacon. Ouvindo logo de cara o excelente segundo disco, recém lançado (2018) "Young & Dangerous", senti exatamente as sensações do título do álbum. Uma banda jovem, segura de sua juventude, extremamente perigosa -- pois viciante e autêntica no seu blend de influências (T. REX, QUEEN, ROLLING STONES, OASIS -- "vi" muito Noel cantando ali também, BOWIE, ELTON JOHN, AEROSMITH e até um SLADE).
Fonte: Wikipedia.
E fiquei viciado no som dos caras. Que disco senhores! Primeira ouvida na academia foi difícil digerir: as músicas pareciam um único hino hedonista, com timbres de Noel Gallagher, Freddie Mercury, batidas e ritmos de SUPERGRASS, DARKNESS, THE KILLERS, e até um the KINKS, não entendi nada, mas gostei. Estranhei um ou outro maneirismo do vocalista Luke Spiller, até me acostumar na segunda audição com a potência, garra e ritmo de sua voz, muito bem acompanhada, por sinal, por  Adam Slack (guitarrista), Jed Elliott (baixista) e Gethin Davies (baterista).

Under Pressure com Taylor H. do Foo Fighters
(repare a roupa de Luke)

A banda foi formada em 2009 na Inglaterra e já tinha estourado com o primeiro álbum "Everybody Wants" de 2014, abrindo ainda, de forma avassaladora, shows da turnê dos Stones no mesmo ano, no Stade de France. A banda também tem o EP kiss This de 2014 e algumas versões acústicas de suas músicas mais conhecidas no Live and Unplugged de 2017. Agora estão residentes nos EUA, abrindo para o Foo Fighters e estourando mundialmente...fica a dica Medina...
Kiss This
Do primeiro disco, de puro glam pop, destacam-se os "hinos" Could Have been Me e Kiss This, mas Roll Up -- que abre o disco, e Put your Money on Me, The Ol' Switcheroo, Where Did She Go (que fecha o álbum), não fazem feio não...

Could Have been Me
Mas o segundo disco vai muito mais além da fórmula inicial. Pra começar tem um "hino" atrás do outro. Não perde tanto o vigor quanto o primeiro (após a terceira música você acha que os caras vão cansar de tanta empolgação, mas não...), aí depois de Body Talks (hit absoluto da banda  no momento, com direito a 'reprise' em dueto com a cantora pop Kesha (aquela mesma do RIR), vem a arrasa quarteirão Primadonna Like Me, a boa In Love With a Camera, o meio rap-rock Bulletproof Baby, o suingue pop de Who Am I,  um certo descanso com People (a mais fraca), a ótima  Fire - Part 1, com belo trabalho vocal de Luke Spiller e riffs afinados com os vocais, pura empolgação rock and roll....e isso é só o começo do disco....cai um pouco no final, mas volta a empolgar nas 3 últimas canções Freak Like You, Ashes - Part 2 e mesmo a reprise de Body Talks que funciona bem com o tal dueto com Kesha - que você confere ao vivo no vídeo do programa do Jimmy Fallon abaixo:

Body Talks, Feat. Kesha

                                                             Primadonna Like Me

                               BONS SONS E ATé A PRÓXIMA PESSOAL! 
                      e bom 2019, pois agora é férias e recesso! 

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Os Soulphonics e Ruby Velle, Stax e Motown na lata, made in Atlanta

Diz lá na bio deles no spotify e no site (http://www.rubyvelleandthesoulphonics.com/), "Funk profundo e cru. Alma sulista estilo Stax. Hinos inspiradores de canalização da Motown. Ruby Velle de Atlanta e o Soulphonics são os herdeiros dos tronos dos mestres da velha escola. Mas eles são muito mais do que apenas um grupo de revivalistas que tentam criar uma peça do período. Velle, a vocalista do Powerhouse, e sua banda não irão se contentar com nada menos do que trazer esses sons clássicos brilhando no agora com um novo e moderno brilho".

disco novo de 2018 - divulgação facebook
Ruby Velle e o Soulphonics formaram originalmente em Gainesville, Flórida, em 2006, quando os membros principais da banda, Spencer Garn (teclados), Scott Clayton (guitarra) e Ruby Velle (vocalista, letrista / escritora) começaram a se apresentar juntos. Eles logo deixaram para trás a cidade universitária da Flórida e se dirigiram para Atlanta, onde encontraram uma cena musical vibrante e eclética que os abraçou de braços abertos.

Na época, eles tocavam principalmente covers de soul e R & B, em pequenos clubes nos fins de semana, quando Garn construiu a Diamond Street - o estúdio de gravação e o local de ensaio da banda. Com o seu próprio espaço e equipamento de gravação, a banda foi capaz de tomar o seu tempo durante a gravação, obtendo tudo que parecia certo.

Desde que faço esse blog, agora eventualmente infelizmente por falta de tempo, sempre me interesso por trazer sons novos na pegada do que curto mesmo, especialmente rock clássico, blues-rock e soul, e sempre me deixo levar pelo groove, como diz um amigo meu, ex-colega de banda (grande Alemão!), como vão os grooves? Já falei aqui de Adele lá pra 2011 ainda, Ben L'Oclen Soul, de Joss Stone, de Soulive, muito de Tedeschi Trucks Band, sempre de Ben Harper, um pouco de Gary Clark, de Mayer Hawthorne, de Michael Kiwanuka, Vintage Trouble, Jon Cleary e tantos outros, só pra ficar em alguns...

E quando li sobre Ruby e sua banda na web, como um 'combo de soul de Atlanta - Georgia' não tinha como não se interessar.....
Fonte: Youtube
A poderosa voz de Ruby, na mais das vezes sensual, evoca sutilmente Amy Winehouse, e a banda/combo The Soulphonics traz aquela massa sonora típica de gravações 'southern' clássicas da Stax e da fábrica de talentos que foi a Motown.  È ouvir o hit Its About Time do primeiro disco de 2012 -- e o posterior single da Starbucks (tocado por lá nas lojas e disponibilizado nos seus canais de streaming) Heartlite -- e se transportar para o cenário do soul americano em seu esplendor. Mas a banda reclama exatamente o contrário, não se dizendo revisionista:

It's About Time - fonte: youtube
“A maioria das bandas como a nossa tendem a se apegar àquela fórmula soul-revue - ternos pretos com gravatas skinny, side steppin 'ao groove, seguex gimmicky”, diz Clayton. "Estamos nos movendo para elementos mais modernos do rock e pop através das lentes da soul e do clássico R & B".

“Essa é a próxima evolução para a banda - separar-nos da banda revisionista de soul”, diz Velle. “Estamos trazendo coisas novas para a mesa enquanto ainda estamos com alma/soul e fé. Nós o empacotamos desenhando a partir de meus próprios gostos ecléticos e das origens diversas dos membros da banda. Isso ajuda a separar nossas músicas. Você pode não esperar, mas muito da minha afinidade por cantar vem de Paul Simon. Eu quero ser uma contadora de histórias com meu canto. Eu não tenho medo de trazer homens folk".

Outra curiosidade sobre a banda é que a música Heartlite já referida aqui, foi a "Escolha da Semana" durante o Natal de 2012 e foi reproduzida em todas as telas da Starbucks em todo o mundo. A Delta Airlines também pegou a música, disponibilizando-a para ouvir em todos os voos. Essas características notáveis, juntamente com várias turnês de sucesso e aparições em festivais lhes renderam quase um milhão de downloads.


Uma das faixas de destaque do álbum, "My Dear", foi apresentada como um single do iTunes da semana, levando-a ao topo das paradas de R & B ao lado de artistas como Usher e Amy Winehouse. Venderam 250 mil downloads de seu single “My Dear” no iTunes, colocando eles no top 30 nas paradas Heatseeker da Billboard e em um impressionante número 4 nas paradas do iTunes R & B quando seu primeiro álbum, It's About Time, foi lançado em 2012. O álbum foi universalmente elogiado por rock, pop e hip-hop, e continua a rodar na cultura de DJ underground - vários remixes EDM acompanharam os lançamentos subsequentes, incluindo o single "My Dear" e o remix Feet on the Ground de 2014. 

                                           Ao vivo no Tiny Desk concerts - 2014 - 
It's about Time

A banda acaba de lançar seu segundo álbum State of All Things, já disponível na web e está em tour pelos EUA. Quem sabe não descobrem por aqui, e trazem para ao menos um palco alternativo desses grandes festivais ou ainda pelo Queremos! 

Feet on the Ground

Banda: Scott Clayton (guitar) Ruby Velle (vocals) Spencer Garn (piano) Kevin Scott (bass), Jason Collier (trumpet), Mark Carbone (drums) - Página no facebook :- https://www.facebook.com/pg/Soulphonics/about/?ref=page_internal.

BONS SONS E ATÉ A PRÓXIMA PESSOAL!

sábado, 14 de abril de 2018

Bate Papo com João Paulo, do Ripando a História do Rock, sobre Dire Straits

Dire Straits no Rock And Roll Hall Of Fame é um sonho de muito tempo, Mark e David Knopfler, John Illsley, Alan Clark, Guy Fletcher, Pick Withers, Terry Williams, e também músicos fantásticos como Mel Collins (que tocou como convidado da banda no discaço ao vivo "Alchemy") juntos de novo, nem que fosse por uma música (parece que não vai rolar...). Quem ouviu "Sultans Of Swing" pela primeira vez através da versão arrasadora do disco "Alchemy" - ao vivo da banda de 1983 - não tira da memória (sempre refrescada pelo VHS, depois pelo especial da extinta TV Manchete em 1986-1988 e depois pelo DVD) os riffs e solos suingados da guitarra do escocês Mark, uma música que é essencialmente um grande riff e solo de guitarra sem fim, que cresce de forma empolgante no final. Tá lá no blog "Riffs e Solos" - "Impossível não falar do mérito de Mark Knopfler, o guitarrista que tocando sem palheta (finger style), conseguiu elaborar esse solo incrível, e deixando sua marca na história da guitarra. O solo de "Sultans Of Swing" não é difícil. Embora a complexidade aumente na parte final (e mais empolgante) da execução, ele está baseado na pentatônica e Knopfler utiliza o mesmo lick para formar várias frases".






Depois desta rápida introdução, começamos este post na forma de um bate-papo sobre o Dire Straits, banda que marcou a nossa geração. Uma conversa descontraída entre Ricardo, do blog Cadinho de Songs, e João Paulo, do blog Ripando a História do Rock.

Ricardo (Cadinho de Songs): Dire Straits e Mark Knopfler foram meu cartão de entrada no mundo do rock, com 14 / 15 anos, entre 1984 e 1985, especialmente por "Sultans Of Swing" e pela repercussão do álbum "Brothers In Arms" no mundo inteiro e no Brasil, pois antes eu só ouvia trilha de novela, Roberto Carlos, Elvis (da minha mãe), "Thriller", do Michael Jackson, e um pouco de rock nacional (Paralamas, Ultraje, Legião), e ali comecei a fazer o meu gosto musical, a ouvir e se apaixonar pela primeira banda de rock na minha vida. Cheguei a montar uma banda de rock no colégio, e comprar uma guitarra Giannini Sonic preta (deveria ser vermelha!), sem tocar uma nota, e tentar solar como Mark, com uma falsa bandana vermelha na testa! E você João, conta aí...

João Paulo (Ripando a História do Rock): Dire Straits não foi minha banda de entrada no rock (a minha foi o Kiss, show no Maracanã e tal em 1983), e eu até levei um tempo para conhecer mais a fundo a banda. Curtia os sucessos que tocavam nas rádios da época, em especial a versão absurda ao vivo de Sultans (ou, como nosso amigo Marco Antônio falava, soltando o suíno!). Não tinha MTV ainda, não conhecia os vídeo clipes da banda. Lá por volta de 1988, comprei uma coletânea em K7, com os grandes sucessos. A partir dali que fui me aprofundando na discografia da banda. Em "Making Movies" e "Love Over Gold", a técnica é tamanha que eu sinto que foi quase um flerte com o rock progressivo. Qual o teu sentimento sobre essa evolução na discografia da banda, Ricardo?


Ricardo (Cadinho de Songs): Fiz o mesmo, parti de "Alchemy" - que é um seminal disco ao vivo, dentre os maiores de todos os tempos, mas funciona como um ótimo best seller da banda, além do disco de hits (o mais pop e comercial) "Brothers In Arms", para conhecer as músicas daquele grupo tão famoso até então. Daí veio as canções de "Making Movies" - que como o próprio nome indica tem uma pegada conceitual, de contar histórias / crônica. Cenas a la Bob Dylan (grande inspiração de Mark), mas com uma urgência rock típica de um Bruce Springsteen (Roy Bittan, tecladista da E Street Band, toca nesse disco). Músicas como "Expresso Love" e "Tunnel Of Love" tem esse flerte tímido com climas do progressivo, mas tem muito de jam sessions e falsos finais de Bruce Springsteen em sua pegada mais rock and roll ("Solid Rock"). Mais complexa, lírica e apaixonante é a balada "Romeo and Juliet", para mim uma das maiores canções de amor de todos os tempos... junto a "Layla" de Clapton tem assento nos corações daqueles que sofrem por amor. "I can't do the talks, like they talk on the TV / And I can't do a love song, like the way it's meant to me / I can't do everything, but I'll do anything for you / I can't do anything 'cept be in love with you... " Lirismo, poesia e uma bela melodia no virtuosismo do grande Mark Knopfler em seu violão Dobro. A banda evoluiu muito nestes 2 discos, notadamente o quarto álbum "Love Over Gold" com a entrada de Alan Clark, e temas como "Private Investigations", e o clássico épico "Telegraph Road" - provável música que será tocada no Hall da Fama. A consolidação da melhor fase da banda (de componentes) foi aí (com a turnê seguinte, a do "Alchemy"):

Mark Knopfler - guitarra, vocal
John Illsley - baixo, backing vocals
Alan Clark - teclado
Hal Lindes - guitarra rítmica, backing vocals
Terry Williams - bateria.

E você João, tem uma formação preferida (além de Mark e John que sempre estiveram com a banda) e o que você acha do grande sucesso comercial da banda - o disco "Brothers In Arms"?



João Paulo (Ripando a História do Rock): com certeza, essa formação também é minha preferida, concisa e entrosada. As performances em "Alchemy" são maravilhosas. Meio que marcam o fim de uma era mais técnica, coroando com aquela apresentação magistral. Agora, sobre "Brothers In Arms", eu acho que a banda ali quis estourar mesmo, vender muito, tipo garantir a aposentadoria vendendo muito disco. Mas fizeram em grande estilo, produção caprichada, músicos de estúdio gravando junto, vídeo clipes com mega produção, tudo grandioso. E no meio de tanta grandiosidade, os meus destaques ficam para a faixa-título, aquela levada meio melancólica, e aquele vídeo cheio de efeitos especiais maneiros, acabou sendo escolhido o melhor vídeo daquele ano de 1985; e a lentinha "Why Worry", uma delícia de música pra escutar em um final de tarde, tomando vinho. A coisa toda foi tão grandiosa, disco, turnê, que eles resolveram sumir. E aí eu acho que todo o sucesso assustou Mark. Ele declarou o fim da banda, foi fazer trilha sonora, gravar disco de country, acho que foi o jeito que ele encontrou para não enlouquecer com o mega estrelato. Só retornaram em 1991, seis anos sem um álbum de estúdio. O que você achou desse retorno, com o álbum "On Every Street"?

Ricardo (Cadinho de Songs) Confesso que não esperava nem mais a volta da banda, mas com o disco esperei algo do nível de um “Brothers In Arms”, e vi ali o verdadeiro começo da intimista, mas rica carreira solo de Mark, com temas mais puxados ao country e folk, apesar dos 6 singles das 12 canções do disco, com hits mais pops como “Calling Elvis” (com um clip caprichado também, com revival dos Thunderbirds), “Ticket to Heaven”, “The Bug”, “Heavy Fuel”, “On every Street” e “You and Your Friend”, essas duas últimas baladas com acento country que mais me chamam a atenção no disco, estas belas canções de um grande compositor e guitarrista que já ensaiava para a sua carreira solo, com as 12 canções do disco inteiramente feitas por Mark. Neste disco, Guy Fletcher firmou-se como segundo tecladista da banda, que acompanhou Mark em carreira solo depois, mas o disco todo (pra mim o mais fraco) me soou como o epitáfio da banda, pareceu-me um disco solo de Mark (com um par de canções comuns, com exceção de poucas como as 2 últimas faladas), acompanhado de músicos de apoio. Depois da turnê desse disco (que pra variar não passou aqui), a banda acabou de vez e me deixou um vazio que anos depois fui preencher com alguns ótimos discos solo de Mark (Sailing to Philadelphia; Golden Heart, Tracker e Privateering) e com o seu show em 2001 no Via Parque (ex-Metropolitan).Você estava lá João (eu adorei o show) ? O que achou? E o que você acha do Dire Straits Legacy (a banda de Alan e ex-membros do grupo?). Haverá chances de vermos todos juntos de novo na cerimônia? 

João Paulo (Ripando a História do Rock): eu não fui nesse show!! Eu nem sei porque não fui, sempre gostei do cara, acho que passou batido por mim, não me lembro exatamente o porquê. Uma pena, deve ter sido um puta show! Agora, me resta torcer pra ele voltar algum dia ao Brasil, mas não guardo muitas esperanças, infelizmente. Sobre esse Dire Straits Legacy, tem cara de uma banda cover de luxo. OK, os caras tem direito de tocar, mas os principais membros não estão ali: nem o Mark nem o John. E o maior problema é que os caras não estão criando novo, só estão tocando os clássicos antigos e faturando em cima. E essa nova faceta do rock eu considero um tanto quanto triste: um público que rejeita o novo, quer ficar parado no tempo escutando as mesmas músicas de sempre. E é o Alan Clark que vai lá no Rock And Roll Hall Of Fame, né? Mark e David não devem ir. Aí sim seria a oportunidade mais que correta para deixar, apenas por um dia, as diferenças de lado e fazer uma apresentação bem legal e honesta, uma homenagem, tributo para todo o legado que a banda deixou para sempre.
Agora, você falou da carreira solo do Mark, e eu adoro! E eu tenho que confessar uma coisa: eu tinha preconceito com o James Taylor, baladeiro do primeiro Rock In Rio, mas escutando ele ali, tocando na faixa-título do “Sailing To Philadelphia” me ajudou a superar isso e conhecer melhor o trabalho do cara!!
E aí, Ricardo, você acha que a gente tem alguma chance de ver (pra você, pela segunda vez) o Mark Knopfler no Brasil?

Ricardo (Cadinho de Songs): Acho difícil, mas não impossível (Medina poderia trazer para o palco Sunset, etc..). As turnês do Dire Straits na época para fazer shows no Brasil, eram sempre anunciadas por alguém, mas nunca vinham e deixavam os brasileiros com água na boca em turnês mundiais com Eric Clapton na guitarra-base (!), em 1988, passando na TV Bandeirantes sábado a noite....Pena que nunca os vi junto ao vivo, mas o show de Mark em 2001 com 7 músicas do Straits (“Telegraph Road”, “Romeo And Juliet”, “Money For Nothing”, “Walk Of Life”, “Brothers In Arms”, “Sultans Of Swing” e “Calling Elvis”.
Foi muito bom mesmo, com casa cheia e emoção de todos presentes (e se minha memória lembra, veio com o Alan Clark). Realmente não me interessei pela banda cover deles, mesmo resenhando-a no blog, se viessem no Rio iria ver mais como uma curiosidade mesmo. Acho triste que Mark e John não se juntem a Alan e aos demais para uma simples apresentação na cerimônia (até o Richie Sambora vai fazer isso com Bon Jovi), para mim histórica e de reconhecimento para uma grande banda, hoje ‘esquecida’ pelos roqueiros mais jovens atuais, mas super relevante.

O Rock and Roll Hall Of Fame de Cleveland, nos EUA, comprova isso, eis que vai homenagear a banda com a sua indução ao Hall dos maiores artistas do rock depois de alguns anos, tendo sido escolhido como a terceira banda na votação popular junto a outros artistas e bandas. Na cerimônia, Ann Wilson apresentará o Moody Blues, Howard Stern estará à disposição para Bon Jovi, Brandon Flowers, do The Killers, induzirá o The Cars, Mary J. Blige e Andra Day prestarão tributo a Nina Simone e Brittany Howard, do Alabama Shakes, induzirá a inovadora Sister Rosetta Tharpe. Embora não se saiba ainda bem quem apresentará o Dire Straits e por que o recluso Knopfler não participará da cerimônia, seu irmão David, que tocou com a banda em seus dois primeiros álbuns, disse que não estará lá também. Ele alega que o Hall da Fama do Rock and Roll renegou os custos de viagem. E Mark parece que disse que gostaria de Clapton ou Dylan para a apresentação/indução da banda ao hall, vai ver pra tornar difícil ele sair de casa...

De fato, o site Ultimate Classic Rock noticiou que o Dire Straits irá se apresentar no Hall da Fama do Rock and Roll em 14 de abril - mas sem o vocalista Mark Knopfler, que não estará participando da cerimônia. O tecladista Alan Clark revelou os planos da banda para sua grande noite em seu site, explicando que "há muita conjectura em fóruns sobre se a banda está se apresentando no Hall of Fame, e se não por que não e quem na banda vai. Bem, aqui está ele e é oficial: Eu, Guy Fletcher e John Illsley vamos participar da cerimônia, onde estaremos fazendo uma versão unplugged de 'Telegraph Road' comigo na harmônica, Guy no ukulele, John no banjo, e o vocal realizado por nós três como uma harmonia de três partes". Clark também já disse que Stevie Wonder se sentaria com o grupo. O post atual em seu site diz que os três ex-membros ainda planejam realizar o épico “Love Over Gold” acusticamente, e não será cantado por Wonder. (http://www.alanclarkmusic.com/bio/) Então, nada parece certo ainda, o que é sério, ou brincadeira, mas o DS será mais uma banda imortalizada no Hall da Fama com louvor, e esperamos ver alguns membros, ao menos John, Mark (ainda tenho esperança) e Clark reunidos, quem sabe tocando juntos depois de tantos anos...

“Sultans Of Swing” ao vivo (do “Alchemy”);

“Telegraph Road” ao vivo (legendado):



BONS SONS E ATé A PRÒXIMA PESSOAL ! THANK YOOOOOOOOOOOOUUUUUU!!


sábado, 10 de março de 2018

Eric Clapton, uma vida em 12 compassos


Eric Clapton é uma das principais razões porque eu gosto de rock. O vi na primeira vez em uma danceteria de bairro, durante o segundo grau (ensino médio), no telão da playhouse da Praça Seca, quando descansava de tentar dançar new wave e ritmos afins. Já era roqueiro desde 1984-1985 pelo menos quando fui iniciado pela minha saudosa mãe na arte de gostar de Beatles e Elvis Presley. Mas solos de guitarra e blues somente quando comecei a escutar Dire Straits, Led Zeppelin e The Doors ouvi algo parecido, já com uns 15 anos.
Fonte: Empire.
Mas ver aquele cara branco, magro e elegante, estilo clássico, empunhando uma fender strato preta em um palco japonês (local onde ele mais tocou), por quase duas horas, tocando blues rocks envenenados e emocionantes como Blues Power, Tulsa Time, After Midnight, Rambling on My Mind. além do clássico Cocaine, não teve preço para mim. Foi uma aula de blues e rock clássico de um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Já estava viciado naquilo, blues-rock na veia.
Divulgação Showtime.
Alguns anos depois e 3 shows do deus da guitarra no currículo, dá uma tristeza vê-lo acusando o golpe da idade, das dores nas mãos e pés (neuropatia periférica) e se aposentando do palco, já gravando pouco (e não tão bem como antes). Mas Clapton, hoje com 72 anos deixou um legado enorme aos fãs de rock e qualquer outra música de qualidade (até mesmo os jazzistas como Wynton Marsalis gravaram com ele).


E para celebrar esse legado a Showtime produziu o documentário ‘Eric Clapton: Life In 12 Bars’, que estreou em fevereiro de 2018, dirigido por Lili Fini Zanuck, produtora do filme "Conduzindo Miss Daisy" (1989), ganhadora do Oscar de melhor filme em 1989. Participou o produtor John Battsek ganhador do Oscar de melhor documentário de longa-metragem do excelente "Searching for Sugar Man", contando na edição de Chris King do mesmo filme.

Eric Clapton disponibilizou seu arquivo pessoal para a realização do documentário, com fotografias, vídeos, cartas escritas à mão, desenhos e até passagens de diários que contam sua infância sofrida pelo abandono da mãe, sua fuga na adoração ao blues e à música em geral, ascensão como o 'deus da guitarra', amizades e inúmeras bandas (super bandas) que participou, além do conturbado romance com a esposa na época de George Harrison, seu melhor amigo, que ajudou a amplificar seu vício em heroína e álcool que quase destruiu sua carreira nos anos 70.

trailer.
"Eu não sei como sobrevivi – aos anos 1970, especialmente. Como estou recuperado do alcoolismo e do vício, acho uma coisa incrível estar vivo, afinal. Pela lógica, eu deveria ter batido as botas muito tempo atrás. Por alguma razão, fui tirado nas garras do inferno e recebi uma nova chance"

Através de materiais de arquivo e imagens nunca antes vistas pelo público, esta é uma análise minuciosa sobre os ápices e as tragédias que marcaram a carreira de Eric Clapton, conhecido como o maior guitarrista de todos os tempos ao lado de Jimi Hendrix. Em 2017, o filme foi selecionado para a o Festival Internacional de Cinema de Toronto.


"Eu sabia que era diferenciado."
O disco que mudou minha vida.
O doc tem imagens de arquivo inéditas e sensacionais dos Yardbirds, de John Mayal & the Bluesbreakers, com narração do próprio 'Ric' (como os avós que lhe criaram lhe chamavam) - assim como em seu livro de memorias, e os depoimentos de amigos de bandas, de sua avó e outros músicos como Roger Waters e tem imagens incríveis como a de Bob Dylan assistindo os Bluesbreakers em um programa de televisão..

O filme passa pelo Cream, Blind Faith (em um show ao vivo no filme),  pela ascensão de Clapton e o seu blues-rock no cenário mundial, mostrando Hendrix 'cortejando' Clapton, e mostra uma jam session de Eric e Aretha Franklin no estúdio da Atlantic Records...Aretha ri das roupas psicodélicas de Eric e imediatamente para de rir quando Eric toca..."ela saca que a coisa era real agora"...diz o dono/fundador da Atlantic Ahmet Ertegün  sobre o episódio.

Crossroads Festival

Life in 12 bars tem a participação do saudoso e grande BB King que, em determinado momento do filme confessa que "a América branca não se importava com a música blues, mas graças à Eric, as portas se abriram pra nós" e mostra a relação de Clapton com King (que rendeu um baita cd e várias parcerias em shows). Marcante é ainda a historia de Patti Boyd 'Harrison' e ele, com depoimentos da mesma com o fundo das fotos e vídeos dos casais na época (Clapton e sua namorada, George e Paty) em puro desconforto.
O amigo e a paixão.
O filme passa pela a rejeição da mãe dele quando pequeno,  o processo de composição de Layla com Patti de inspiração e sobre a dor que ele sentiu ao abrigar uma paixão longa, principalmente não correspondida pela esposa de seu melhor amigo, George Harrison. O clímax do álbum, "Layla", certamente uma das grandes músicas de todo o cânone de rock, foi derivado da história persa de Layla e Majnun, uma tragédia romântica famosa. O amor de Clapton por Patti tem todas as características da tragédia, mas ele conseguiu transmutá-lo em uma ótima arte. O seminal álbum que contém a música, "Layla and Other Assorted Love Songs" restou um dolorido clássico na obra de Eric, ganhando ainda relevo com a  entrada de Duane Allman (que fala no doc) na banda dos Dominos (Delaney and Bonnie), depois de Eric assistir um  show dos Allman. Aqui o filme tem imagens inéditas de Duane solando Layla...sensacional!




No fim, é difícil ver o doloroso período de 71 em diante, com auge em 74, quando ele retorna com vicio em álcool, mostrando imagens de shows em que ele fez bêbado, fazendo meia hora de show com contrato de uma hora e meia. E após a tragédia (mais uma), de seu filho Connor - morto por acidente ao cair da janela de um prédio em NY, mostra como Eric se cercou de seus amigos e música no Crossroads Festival e na caridade em seu projeto de recuperação do vício em drogas e álcool, fazendo música em alto nível como o Unplugged MTV e outros, ganhando Grammy's para esquecer ou transformar a dor em algo positivo. FILME IMPERDÍVEL PARA O FÃ DE CLAPTON OU NÃO.
BONS SONS E ATÉ A PRÓXIMA PESSOAL!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Greta Van Fleet: Apenas um bom cover do Led Zeppelin? Ou porque gostei da banda...

Bem vindos a 2018 meus amigos!  7 anos de aniversário! Mais um ano de Um Cadinho de Songs, blog que começou em 2011 (19.01.011 - olha aqui as boas vindas na época!), quando ainda se chamava The Song Remains de Same...música título do filme do Led Zeppelin e de seu disco ao vivo em NY, o que me fez modificar o nome pra não ser confundido com os 4 deuses ingleses do rock, uma das bandas seminais e maiores do estilo.

E a virada do ano me trouxe uma agradável surpresa musical que, ao contrário do blog no passado, não parece ter medo de comparações com mitos do rock como o próprio Led Zeppelin! GRETA VAN FLEET (que nome!) começou a ser falado, discutido, debatido, rejeitado por uns, salvação do rock por outros, tudo por conta de seu EP de estreia Black Smocking Rising (2017, Lava Records) que já entrou para as paradas da Billboard (200 - rock).
Os brothers em ação - wikipedia-
Greta Van Fleet on stage at the Red River Valley Fair, West Fargo, North Dakota, July 14, 2017 by Troy Larson
Os irmãos Kiszka, Sam (baixo), Jake (guitarra) e Josh (vocais) os dois últimos gêmeos, além do batera Daniel `Danny` Vagner (entrou no lugar de Kyle Hauck), dizem ter crescido com a influência de  Bob Dylan e The Who (visualmente perceptível nos cabelos curtos e no estilo de Josh, especialmente), mas quando se reuniram numa garagem de  Frankenmuth, Michigan, conhecida por suas raízes alemãs (Little Bavaria) e por ter a "maior loja de Natal do mundo", soaram como o Zepelim de chumbo mesmo, tal como Keith Moon apelidou a banda de Page, Bonzo, Jones e Plant.
Highway Tune
E falando em Robert, taí a principal razão das comparações com o Led. Para Billboard eles disseram que têm muito amor pelo vocalista do Led Zeppelin, e pelas comparações de Josh com Robert Plant, com seu uivo rouco e agudos- mas Jake diz que não sabia que seu irmão tinha tal potencial até a primeira jam session da banda alguns anos atrás. "Nós nos olhamos um para o outro e meio que parou", lembra Jake. "Esse foi um momento arrepiante - eu sabia que ele poderia cantar, mas não assim". Detalhe é que Josh afirma que Jonh Denver é uma das sua influências vocais, além de Wilson Pickett.
Safari Song ao vivo
E, de fato, se você escuta o EP From The Fires (o EP inicial mais 4 canções novas), logo de cara a canção Safari Song  te remete aos hard blues do Led Zeppelin. Ë como você fechar os olhos e escutar uma nova música da banda renascida, com os uivos roucos, os agudos e gritos afinados de Plant de volta, além da dinâmica da banda que, com um bom guitarrista e um baterista com pegada a la Bonzo (sem comparações, ok), e o baixo e teclados na mesma toada (músicas como Flower Power com final a la Jonh Paul Jones - que ainda lembra muito canções folk de Led Zeppelin 3) te levam a uma viagem no tempo que continua ao longo do ótimo álbum com destaque para  Highway Tune, Black Smoke Rising e Edge of Darkness, além de um cover bem bacana de Sam Cooke "A change is gonna Come".
Black Smoke Rising
 Na Billboard ('Chartbreaker'), eles comentaram que foi a ideia de Josh nomear o grupo em homenagem à anciã e música da cidade Gretna Van Fleet, fazendo a troca do primeiro nome para soar melhor. Listar seu nome na marquise resultou em alguma confusão inicial: "Ela está recebendo todas essas chamadas de pessoas que perguntam, 'você está tocando hoje à noite?'" Jake ri das histórias. Ou seja, mais uma influência involuntária ou não, nome emprestado de uma pessoa real ligeiramente modificado (olá Lynyrd Skynyrd....).
A alegria de uma banda de brothers zeppelianos...Fonte: Billboard.
Melhor artista novo em 2017 (Loudwire Music Awards), com suas canções subindo a top 20, top 10 das paradas rock dos EUA, surge como grande promessa de dias melhores para o rock clássico, mas acompanha, em verdade, nomes mais consistentes no mercado como Rival Sons (que também sofreu comparações com o Led e AC-DC), além de The Anwser, Blues Pills, Temperance Movement, dentre outros. Vamos acompanhar! Eu gostei!

BONS SONS E FELIZ 2018! 7 anos de Blog! Até a próxima pessoal!

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