quinta-feira, 26 de julho de 2018

Os Soulphonics e Ruby Velle, Stax e Motown na lata, made in Atlanta

Diz lá na bio deles no spotify e no site (http://www.rubyvelleandthesoulphonics.com/), "Funk profundo e cru. Alma sulista estilo Stax. Hinos inspiradores de canalização da Motown. Ruby Velle de Atlanta e o Soulphonics são os herdeiros dos tronos dos mestres da velha escola. Mas eles são muito mais do que apenas um grupo de revivalistas que tentam criar uma peça do período. Velle, a vocalista do Powerhouse, e sua banda não irão se contentar com nada menos do que trazer esses sons clássicos brilhando no agora com um novo e moderno brilho".

disco novo de 2018 - divulgação facebook
Ruby Velle e o Soulphonics formaram originalmente em Gainesville, Flórida, em 2006, quando os membros principais da banda, Spencer Garn (teclados), Scott Clayton (guitarra) e Ruby Velle (vocalista, letrista / escritora) começaram a se apresentar juntos. Eles logo deixaram para trás a cidade universitária da Flórida e se dirigiram para Atlanta, onde encontraram uma cena musical vibrante e eclética que os abraçou de braços abertos.

Na época, eles tocavam principalmente covers de soul e R & B, em pequenos clubes nos fins de semana, quando Garn construiu a Diamond Street - o estúdio de gravação e o local de ensaio da banda. Com o seu próprio espaço e equipamento de gravação, a banda foi capaz de tomar o seu tempo durante a gravação, obtendo tudo que parecia certo.

Desde que faço esse blog, agora eventualmente infelizmente por falta de tempo, sempre me interesso por trazer sons novos na pegada do que curto mesmo, especialmente rock clássico, blues-rock e soul, e sempre me deixo levar pelo groove, como diz um amigo meu, ex-colega de banda (grande Alemão!), como vão os grooves? Já falei aqui de Adele lá pra 2011 ainda, Ben L'Oclen Soul, de Joss Stone, de Soulive, muito de Tedeschi Trucks Band, sempre de Ben Harper, um pouco de Gary Clark, de Mayer Hawthorne, de Michael Kiwanuka, Vintage Trouble, Jon Cleary e tantos outros, só pra ficar em alguns...

E quando li sobre Ruby e sua banda na web, como um 'combo de soul de Atlanta - Georgia' não tinha como não se interessar.....
Fonte: Youtube
A poderosa voz de Ruby, na mais das vezes sensual, evoca sutilmente Amy Winehouse, e a banda/combo The Soulphonics traz aquela massa sonora típica de gravações 'southern' clássicas da Stax e da fábrica de talentos que foi a Motown.  È ouvir o hit Its About Time do primeiro disco de 2012 -- e o posterior single da Starbucks (tocado por lá nas lojas e disponibilizado nos seus canais de streaming) Heartlite -- e se transportar para o cenário do soul americano em seu esplendor. Mas a banda reclama exatamente o contrário, não se dizendo revisionista:

It's About Time - fonte: youtube
“A maioria das bandas como a nossa tendem a se apegar àquela fórmula soul-revue - ternos pretos com gravatas skinny, side steppin 'ao groove, seguex gimmicky”, diz Clayton. "Estamos nos movendo para elementos mais modernos do rock e pop através das lentes da soul e do clássico R & B".

“Essa é a próxima evolução para a banda - separar-nos da banda revisionista de soul”, diz Velle. “Estamos trazendo coisas novas para a mesa enquanto ainda estamos com alma/soul e fé. Nós o empacotamos desenhando a partir de meus próprios gostos ecléticos e das origens diversas dos membros da banda. Isso ajuda a separar nossas músicas. Você pode não esperar, mas muito da minha afinidade por cantar vem de Paul Simon. Eu quero ser uma contadora de histórias com meu canto. Eu não tenho medo de trazer homens folk".

Outra curiosidade sobre a banda é que a música Heartlite já referida aqui, foi a "Escolha da Semana" durante o Natal de 2012 e foi reproduzida em todas as telas da Starbucks em todo o mundo. A Delta Airlines também pegou a música, disponibilizando-a para ouvir em todos os voos. Essas características notáveis, juntamente com várias turnês de sucesso e aparições em festivais lhes renderam quase um milhão de downloads.


Uma das faixas de destaque do álbum, "My Dear", foi apresentada como um single do iTunes da semana, levando-a ao topo das paradas de R & B ao lado de artistas como Usher e Amy Winehouse. Venderam 250 mil downloads de seu single “My Dear” no iTunes, colocando eles no top 30 nas paradas Heatseeker da Billboard e em um impressionante número 4 nas paradas do iTunes R & B quando seu primeiro álbum, It's About Time, foi lançado em 2012. O álbum foi universalmente elogiado por rock, pop e hip-hop, e continua a rodar na cultura de DJ underground - vários remixes EDM acompanharam os lançamentos subsequentes, incluindo o single "My Dear" e o remix Feet on the Ground de 2014. 

                                           Ao vivo no Tiny Desk concerts - 2014 - 
It's about Time

A banda acaba de lançar seu segundo álbum State of All Things, já disponível na web e está em tour pelos EUA. Quem sabe não descobrem por aqui, e trazem para ao menos um palco alternativo desses grandes festivais ou ainda pelo Queremos! 

Feet on the Ground

Banda: Scott Clayton (guitar) Ruby Velle (vocals) Spencer Garn (piano) Kevin Scott (bass), Jason Collier (trumpet), Mark Carbone (drums) - Página no facebook :- https://www.facebook.com/pg/Soulphonics/about/?ref=page_internal.

BONS SONS E ATÉ A PRÓXIMA PESSOAL!

sábado, 14 de abril de 2018

Bate Papo com João Paulo, do Ripando a História do Rock, sobre Dire Straits

Dire Straits no Rock And Roll Hall Of Fame é um sonho de muito tempo, Mark e David Knopfler, John Illsley, Alan Clark, Guy Fletcher, Pick Withers, Terry Williams, e também músicos fantásticos como Mel Collins (que tocou como convidado da banda no discaço ao vivo "Alchemy") juntos de novo, nem que fosse por uma música (parece que não vai rolar...). Quem ouviu "Sultans Of Swing" pela primeira vez através da versão arrasadora do disco "Alchemy" - ao vivo da banda de 1983 - não tira da memória (sempre refrescada pelo VHS, depois pelo especial da extinta TV Manchete em 1986-1988 e depois pelo DVD) os riffs e solos suingados da guitarra do escocês Mark, uma música que é essencialmente um grande riff e solo de guitarra sem fim, que cresce de forma empolgante no final. Tá lá no blog "Riffs e Solos" - "Impossível não falar do mérito de Mark Knopfler, o guitarrista que tocando sem palheta (finger style), conseguiu elaborar esse solo incrível, e deixando sua marca na história da guitarra. O solo de "Sultans Of Swing" não é difícil. Embora a complexidade aumente na parte final (e mais empolgante) da execução, ele está baseado na pentatônica e Knopfler utiliza o mesmo lick para formar várias frases".






Depois desta rápida introdução, começamos este post na forma de um bate-papo sobre o Dire Straits, banda que marcou a nossa geração. Uma conversa descontraída entre Ricardo, do blog Cadinho de Songs, e João Paulo, do blog Ripando a História do Rock.

Ricardo (Cadinho de Songs): Dire Straits e Mark Knopfler foram meu cartão de entrada no mundo do rock, com 14 / 15 anos, entre 1984 e 1985, especialmente por "Sultans Of Swing" e pela repercussão do álbum "Brothers In Arms" no mundo inteiro e no Brasil, pois antes eu só ouvia trilha de novela, Roberto Carlos, Elvis (da minha mãe), "Thriller", do Michael Jackson, e um pouco de rock nacional (Paralamas, Ultraje, Legião), e ali comecei a fazer o meu gosto musical, a ouvir e se apaixonar pela primeira banda de rock na minha vida. Cheguei a montar uma banda de rock no colégio, e comprar uma guitarra Giannini Sonic preta (deveria ser vermelha!), sem tocar uma nota, e tentar solar como Mark, com uma falsa bandana vermelha na testa! E você João, conta aí...

João Paulo (Ripando a História do Rock): Dire Straits não foi minha banda de entrada no rock (a minha foi o Kiss, show no Maracanã e tal em 1983), e eu até levei um tempo para conhecer mais a fundo a banda. Curtia os sucessos que tocavam nas rádios da época, em especial a versão absurda ao vivo de Sultans (ou, como nosso amigo Marco Antônio falava, soltando o suíno!). Não tinha MTV ainda, não conhecia os vídeo clipes da banda. Lá por volta de 1988, comprei uma coletânea em K7, com os grandes sucessos. A partir dali que fui me aprofundando na discografia da banda. Em "Making Movies" e "Love Over Gold", a técnica é tamanha que eu sinto que foi quase um flerte com o rock progressivo. Qual o teu sentimento sobre essa evolução na discografia da banda, Ricardo?


Ricardo (Cadinho de Songs): Fiz o mesmo, parti de "Alchemy" - que é um seminal disco ao vivo, dentre os maiores de todos os tempos, mas funciona como um ótimo best seller da banda, além do disco de hits (o mais pop e comercial) "Brothers In Arms", para conhecer as músicas daquele grupo tão famoso até então. Daí veio as canções de "Making Movies" - que como o próprio nome indica tem uma pegada conceitual, de contar histórias / crônica. Cenas a la Bob Dylan (grande inspiração de Mark), mas com uma urgência rock típica de um Bruce Springsteen (Roy Bittan, tecladista da E Street Band, toca nesse disco). Músicas como "Expresso Love" e "Tunnel Of Love" tem esse flerte tímido com climas do progressivo, mas tem muito de jam sessions e falsos finais de Bruce Springsteen em sua pegada mais rock and roll ("Solid Rock"). Mais complexa, lírica e apaixonante é a balada "Romeo and Juliet", para mim uma das maiores canções de amor de todos os tempos... junto a "Layla" de Clapton tem assento nos corações daqueles que sofrem por amor. "I can't do the talks, like they talk on the TV / And I can't do a love song, like the way it's meant to me / I can't do everything, but I'll do anything for you / I can't do anything 'cept be in love with you... " Lirismo, poesia e uma bela melodia no virtuosismo do grande Mark Knopfler em seu violão Dobro. A banda evoluiu muito nestes 2 discos, notadamente o quarto álbum "Love Over Gold" com a entrada de Alan Clark, e temas como "Private Investigations", e o clássico épico "Telegraph Road" - provável música que será tocada no Hall da Fama. A consolidação da melhor fase da banda (de componentes) foi aí (com a turnê seguinte, a do "Alchemy"):

Mark Knopfler - guitarra, vocal
John Illsley - baixo, backing vocals
Alan Clark - teclado
Hal Lindes - guitarra rítmica, backing vocals
Terry Williams - bateria.

E você João, tem uma formação preferida (além de Mark e John que sempre estiveram com a banda) e o que você acha do grande sucesso comercial da banda - o disco "Brothers In Arms"?



João Paulo (Ripando a História do Rock): com certeza, essa formação também é minha preferida, concisa e entrosada. As performances em "Alchemy" são maravilhosas. Meio que marcam o fim de uma era mais técnica, coroando com aquela apresentação magistral. Agora, sobre "Brothers In Arms", eu acho que a banda ali quis estourar mesmo, vender muito, tipo garantir a aposentadoria vendendo muito disco. Mas fizeram em grande estilo, produção caprichada, músicos de estúdio gravando junto, vídeo clipes com mega produção, tudo grandioso. E no meio de tanta grandiosidade, os meus destaques ficam para a faixa-título, aquela levada meio melancólica, e aquele vídeo cheio de efeitos especiais maneiros, acabou sendo escolhido o melhor vídeo daquele ano de 1985; e a lentinha "Why Worry", uma delícia de música pra escutar em um final de tarde, tomando vinho. A coisa toda foi tão grandiosa, disco, turnê, que eles resolveram sumir. E aí eu acho que todo o sucesso assustou Mark. Ele declarou o fim da banda, foi fazer trilha sonora, gravar disco de country, acho que foi o jeito que ele encontrou para não enlouquecer com o mega estrelato. Só retornaram em 1991, seis anos sem um álbum de estúdio. O que você achou desse retorno, com o álbum "On Every Street"?

Ricardo (Cadinho de Songs) Confesso que não esperava nem mais a volta da banda, mas com o disco esperei algo do nível de um “Brothers In Arms”, e vi ali o verdadeiro começo da intimista, mas rica carreira solo de Mark, com temas mais puxados ao country e folk, apesar dos 6 singles das 12 canções do disco, com hits mais pops como “Calling Elvis” (com um clip caprichado também, com revival dos Thunderbirds), “Ticket to Heaven”, “The Bug”, “Heavy Fuel”, “On every Street” e “You and Your Friend”, essas duas últimas baladas com acento country que mais me chamam a atenção no disco, estas belas canções de um grande compositor e guitarrista que já ensaiava para a sua carreira solo, com as 12 canções do disco inteiramente feitas por Mark. Neste disco, Guy Fletcher firmou-se como segundo tecladista da banda, que acompanhou Mark em carreira solo depois, mas o disco todo (pra mim o mais fraco) me soou como o epitáfio da banda, pareceu-me um disco solo de Mark (com um par de canções comuns, com exceção de poucas como as 2 últimas faladas), acompanhado de músicos de apoio. Depois da turnê desse disco (que pra variar não passou aqui), a banda acabou de vez e me deixou um vazio que anos depois fui preencher com alguns ótimos discos solo de Mark (Sailing to Philadelphia; Golden Heart, Tracker e Privateering) e com o seu show em 2001 no Via Parque (ex-Metropolitan).Você estava lá João (eu adorei o show) ? O que achou? E o que você acha do Dire Straits Legacy (a banda de Alan e ex-membros do grupo?). Haverá chances de vermos todos juntos de novo na cerimônia? 

João Paulo (Ripando a História do Rock): eu não fui nesse show!! Eu nem sei porque não fui, sempre gostei do cara, acho que passou batido por mim, não me lembro exatamente o porquê. Uma pena, deve ter sido um puta show! Agora, me resta torcer pra ele voltar algum dia ao Brasil, mas não guardo muitas esperanças, infelizmente. Sobre esse Dire Straits Legacy, tem cara de uma banda cover de luxo. OK, os caras tem direito de tocar, mas os principais membros não estão ali: nem o Mark nem o John. E o maior problema é que os caras não estão criando novo, só estão tocando os clássicos antigos e faturando em cima. E essa nova faceta do rock eu considero um tanto quanto triste: um público que rejeita o novo, quer ficar parado no tempo escutando as mesmas músicas de sempre. E é o Alan Clark que vai lá no Rock And Roll Hall Of Fame, né? Mark e David não devem ir. Aí sim seria a oportunidade mais que correta para deixar, apenas por um dia, as diferenças de lado e fazer uma apresentação bem legal e honesta, uma homenagem, tributo para todo o legado que a banda deixou para sempre.
Agora, você falou da carreira solo do Mark, e eu adoro! E eu tenho que confessar uma coisa: eu tinha preconceito com o James Taylor, baladeiro do primeiro Rock In Rio, mas escutando ele ali, tocando na faixa-título do “Sailing To Philadelphia” me ajudou a superar isso e conhecer melhor o trabalho do cara!!
E aí, Ricardo, você acha que a gente tem alguma chance de ver (pra você, pela segunda vez) o Mark Knopfler no Brasil?

Ricardo (Cadinho de Songs): Acho difícil, mas não impossível (Medina poderia trazer para o palco Sunset, etc..). As turnês do Dire Straits na época para fazer shows no Brasil, eram sempre anunciadas por alguém, mas nunca vinham e deixavam os brasileiros com água na boca em turnês mundiais com Eric Clapton na guitarra-base (!), em 1988, passando na TV Bandeirantes sábado a noite....Pena que nunca os vi junto ao vivo, mas o show de Mark em 2001 com 7 músicas do Straits (“Telegraph Road”, “Romeo And Juliet”, “Money For Nothing”, “Walk Of Life”, “Brothers In Arms”, “Sultans Of Swing” e “Calling Elvis”.
Foi muito bom mesmo, com casa cheia e emoção de todos presentes (e se minha memória lembra, veio com o Alan Clark). Realmente não me interessei pela banda cover deles, mesmo resenhando-a no blog, se viessem no Rio iria ver mais como uma curiosidade mesmo. Acho triste que Mark e John não se juntem a Alan e aos demais para uma simples apresentação na cerimônia (até o Richie Sambora vai fazer isso com Bon Jovi), para mim histórica e de reconhecimento para uma grande banda, hoje ‘esquecida’ pelos roqueiros mais jovens atuais, mas super relevante.

O Rock and Roll Hall Of Fame de Cleveland, nos EUA, comprova isso, eis que vai homenagear a banda com a sua indução ao Hall dos maiores artistas do rock depois de alguns anos, tendo sido escolhido como a terceira banda na votação popular junto a outros artistas e bandas. Na cerimônia, Ann Wilson apresentará o Moody Blues, Howard Stern estará à disposição para Bon Jovi, Brandon Flowers, do The Killers, induzirá o The Cars, Mary J. Blige e Andra Day prestarão tributo a Nina Simone e Brittany Howard, do Alabama Shakes, induzirá a inovadora Sister Rosetta Tharpe. Embora não se saiba ainda bem quem apresentará o Dire Straits e por que o recluso Knopfler não participará da cerimônia, seu irmão David, que tocou com a banda em seus dois primeiros álbuns, disse que não estará lá também. Ele alega que o Hall da Fama do Rock and Roll renegou os custos de viagem. E Mark parece que disse que gostaria de Clapton ou Dylan para a apresentação/indução da banda ao hall, vai ver pra tornar difícil ele sair de casa...

De fato, o site Ultimate Classic Rock noticiou que o Dire Straits irá se apresentar no Hall da Fama do Rock and Roll em 14 de abril - mas sem o vocalista Mark Knopfler, que não estará participando da cerimônia. O tecladista Alan Clark revelou os planos da banda para sua grande noite em seu site, explicando que "há muita conjectura em fóruns sobre se a banda está se apresentando no Hall of Fame, e se não por que não e quem na banda vai. Bem, aqui está ele e é oficial: Eu, Guy Fletcher e John Illsley vamos participar da cerimônia, onde estaremos fazendo uma versão unplugged de 'Telegraph Road' comigo na harmônica, Guy no ukulele, John no banjo, e o vocal realizado por nós três como uma harmonia de três partes". Clark também já disse que Stevie Wonder se sentaria com o grupo. O post atual em seu site diz que os três ex-membros ainda planejam realizar o épico “Love Over Gold” acusticamente, e não será cantado por Wonder. (http://www.alanclarkmusic.com/bio/) Então, nada parece certo ainda, o que é sério, ou brincadeira, mas o DS será mais uma banda imortalizada no Hall da Fama com louvor, e esperamos ver alguns membros, ao menos John, Mark (ainda tenho esperança) e Clark reunidos, quem sabe tocando juntos depois de tantos anos...

“Sultans Of Swing” ao vivo (do “Alchemy”);

“Telegraph Road” ao vivo (legendado):



BONS SONS E ATé A PRÒXIMA PESSOAL ! THANK YOOOOOOOOOOOOUUUUUU!!


sábado, 10 de março de 2018

Eric Clapton, uma vida em 12 compassos


Eric Clapton é uma das principais razões porque eu gosto de rock. O vi na primeira vez em uma danceteria de bairro, durante o segundo grau (ensino médio), no telão da playhouse da Praça Seca, quando descansava de tentar dançar new wave e ritmos afins. Já era roqueiro desde 1984-1985 pelo menos quando fui iniciado pela minha saudosa mãe na arte de gostar de Beatles e Elvis Presley. Mas solos de guitarra e blues somente quando comecei a escutar Dire Straits, Led Zeppelin e The Doors ouvi algo parecido, já com uns 15 anos.
Fonte: Empire.
Mas ver aquele cara branco, magro e elegante, estilo clássico, empunhando uma fender strato preta em um palco japonês (local onde ele mais tocou), por quase duas horas, tocando blues rocks envenenados e emocionantes como Blues Power, Tulsa Time, After Midnight, Rambling on My Mind. além do clássico Cocaine, não teve preço para mim. Foi uma aula de blues e rock clássico de um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Já estava viciado naquilo, blues-rock na veia.
Divulgação Showtime.
Alguns anos depois e 3 shows do deus da guitarra no currículo, dá uma tristeza vê-lo acusando o golpe da idade, das dores nas mãos e pés (neuropatia periférica) e se aposentando do palco, já gravando pouco (e não tão bem como antes). Mas Clapton, hoje com 72 anos deixou um legado enorme aos fãs de rock e qualquer outra música de qualidade (até mesmo os jazzistas como Wynton Marsalis gravaram com ele).


E para celebrar esse legado a Showtime produziu o documentário ‘Eric Clapton: Life In 12 Bars’, que estreou em fevereiro de 2018, dirigido por Lili Fini Zanuck, produtora do filme "Conduzindo Miss Daisy" (1989), ganhadora do Oscar de melhor filme em 1989. Participou o produtor John Battsek ganhador do Oscar de melhor documentário de longa-metragem do excelente "Searching for Sugar Man", contando na edição de Chris King do mesmo filme.

Eric Clapton disponibilizou seu arquivo pessoal para a realização do documentário, com fotografias, vídeos, cartas escritas à mão, desenhos e até passagens de diários que contam sua infância sofrida pelo abandono da mãe, sua fuga na adoração ao blues e à música em geral, ascensão como o 'deus da guitarra', amizades e inúmeras bandas (super bandas) que participou, além do conturbado romance com a esposa na época de George Harrison, seu melhor amigo, que ajudou a amplificar seu vício em heroína e álcool que quase destruiu sua carreira nos anos 70.

trailer.
"Eu não sei como sobrevivi – aos anos 1970, especialmente. Como estou recuperado do alcoolismo e do vício, acho uma coisa incrível estar vivo, afinal. Pela lógica, eu deveria ter batido as botas muito tempo atrás. Por alguma razão, fui tirado nas garras do inferno e recebi uma nova chance"

Através de materiais de arquivo e imagens nunca antes vistas pelo público, esta é uma análise minuciosa sobre os ápices e as tragédias que marcaram a carreira de Eric Clapton, conhecido como o maior guitarrista de todos os tempos ao lado de Jimi Hendrix. Em 2017, o filme foi selecionado para a o Festival Internacional de Cinema de Toronto.


"Eu sabia que era diferenciado."
O disco que mudou minha vida.
O doc tem imagens de arquivo inéditas e sensacionais dos Yardbirds, de John Mayal & the Bluesbreakers, com narração do próprio 'Ric' (como os avós que lhe criaram lhe chamavam) - assim como em seu livro de memorias, e os depoimentos de amigos de bandas, de sua avó e outros músicos como Roger Waters e tem imagens incríveis como a de Bob Dylan assistindo os Bluesbreakers em um programa de televisão..

O filme passa pelo Cream, Blind Faith (em um show ao vivo no filme),  pela ascensão de Clapton e o seu blues-rock no cenário mundial, mostrando Hendrix 'cortejando' Clapton, e mostra uma jam session de Eric e Aretha Franklin no estúdio da Atlantic Records...Aretha ri das roupas psicodélicas de Eric e imediatamente para de rir quando Eric toca..."ela saca que a coisa era real agora"...diz o dono/fundador da Atlantic Ahmet Ertegün  sobre o episódio.

Crossroads Festival

Life in 12 bars tem a participação do saudoso e grande BB King que, em determinado momento do filme confessa que "a América branca não se importava com a música blues, mas graças à Eric, as portas se abriram pra nós" e mostra a relação de Clapton com King (que rendeu um baita cd e várias parcerias em shows). Marcante é ainda a historia de Patti Boyd 'Harrison' e ele, com depoimentos da mesma com o fundo das fotos e vídeos dos casais na época (Clapton e sua namorada, George e Paty) em puro desconforto.
O amigo e a paixão.
O filme passa pela a rejeição da mãe dele quando pequeno,  o processo de composição de Layla com Patti de inspiração e sobre a dor que ele sentiu ao abrigar uma paixão longa, principalmente não correspondida pela esposa de seu melhor amigo, George Harrison. O clímax do álbum, "Layla", certamente uma das grandes músicas de todo o cânone de rock, foi derivado da história persa de Layla e Majnun, uma tragédia romântica famosa. O amor de Clapton por Patti tem todas as características da tragédia, mas ele conseguiu transmutá-lo em uma ótima arte. O seminal álbum que contém a música, "Layla and Other Assorted Love Songs" restou um dolorido clássico na obra de Eric, ganhando ainda relevo com a  entrada de Duane Allman (que fala no doc) na banda dos Dominos (Delaney and Bonnie), depois de Eric assistir um  show dos Allman. Aqui o filme tem imagens inéditas de Duane solando Layla...sensacional!




No fim, é difícil ver o doloroso período de 71 em diante, com auge em 74, quando ele retorna com vicio em álcool, mostrando imagens de shows em que ele fez bêbado, fazendo meia hora de show com contrato de uma hora e meia. E após a tragédia (mais uma), de seu filho Connor - morto por acidente ao cair da janela de um prédio em NY, mostra como Eric se cercou de seus amigos e música no Crossroads Festival e na caridade em seu projeto de recuperação do vício em drogas e álcool, fazendo música em alto nível como o Unplugged MTV e outros, ganhando Grammy's para esquecer ou transformar a dor em algo positivo. FILME IMPERDÍVEL PARA O FÃ DE CLAPTON OU NÃO.
BONS SONS E ATÉ A PRÓXIMA PESSOAL!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Greta Van Fleet: Apenas um bom cover do Led Zeppelin? Ou porque gostei da banda...

Bem vindos a 2018 meus amigos!  7 anos de aniversário! Mais um ano de Um Cadinho de Songs, blog que começou em 2011 (19.01.011 - olha aqui as boas vindas na época!), quando ainda se chamava The Song Remains de Same...música título do filme do Led Zeppelin e de seu disco ao vivo em NY, o que me fez modificar o nome pra não ser confundido com os 4 deuses ingleses do rock, uma das bandas seminais e maiores do estilo.

E a virada do ano me trouxe uma agradável surpresa musical que, ao contrário do blog no passado, não parece ter medo de comparações com mitos do rock como o próprio Led Zeppelin! GRETA VAN FLEET (que nome!) começou a ser falado, discutido, debatido, rejeitado por uns, salvação do rock por outros, tudo por conta de seu EP de estreia Black Smocking Rising (2017, Lava Records) que já entrou para as paradas da Billboard (200 - rock).
Os brothers em ação - wikipedia-
Greta Van Fleet on stage at the Red River Valley Fair, West Fargo, North Dakota, July 14, 2017 by Troy Larson
Os irmãos Kiszka, Sam (baixo), Jake (guitarra) e Josh (vocais) os dois últimos gêmeos, além do batera Daniel `Danny` Vagner (entrou no lugar de Kyle Hauck), dizem ter crescido com a influência de  Bob Dylan e The Who (visualmente perceptível nos cabelos curtos e no estilo de Josh, especialmente), mas quando se reuniram numa garagem de  Frankenmuth, Michigan, conhecida por suas raízes alemãs (Little Bavaria) e por ter a "maior loja de Natal do mundo", soaram como o Zepelim de chumbo mesmo, tal como Keith Moon apelidou a banda de Page, Bonzo, Jones e Plant.
Highway Tune
E falando em Robert, taí a principal razão das comparações com o Led. Para Billboard eles disseram que têm muito amor pelo vocalista do Led Zeppelin, e pelas comparações de Josh com Robert Plant, com seu uivo rouco e agudos- mas Jake diz que não sabia que seu irmão tinha tal potencial até a primeira jam session da banda alguns anos atrás. "Nós nos olhamos um para o outro e meio que parou", lembra Jake. "Esse foi um momento arrepiante - eu sabia que ele poderia cantar, mas não assim". Detalhe é que Josh afirma que Jonh Denver é uma das sua influências vocais, além de Wilson Pickett.
Safari Song ao vivo
E, de fato, se você escuta o EP From The Fires (o EP inicial mais 4 canções novas), logo de cara a canção Safari Song  te remete aos hard blues do Led Zeppelin. Ë como você fechar os olhos e escutar uma nova música da banda renascida, com os uivos roucos, os agudos e gritos afinados de Plant de volta, além da dinâmica da banda que, com um bom guitarrista e um baterista com pegada a la Bonzo (sem comparações, ok), e o baixo e teclados na mesma toada (músicas como Flower Power com final a la Jonh Paul Jones - que ainda lembra muito canções folk de Led Zeppelin 3) te levam a uma viagem no tempo que continua ao longo do ótimo álbum com destaque para  Highway Tune, Black Smoke Rising e Edge of Darkness, além de um cover bem bacana de Sam Cooke "A change is gonna Come".
Black Smoke Rising
 Na Billboard ('Chartbreaker'), eles comentaram que foi a ideia de Josh nomear o grupo em homenagem à anciã e música da cidade Gretna Van Fleet, fazendo a troca do primeiro nome para soar melhor. Listar seu nome na marquise resultou em alguma confusão inicial: "Ela está recebendo todas essas chamadas de pessoas que perguntam, 'você está tocando hoje à noite?'" Jake ri das histórias. Ou seja, mais uma influência involuntária ou não, nome emprestado de uma pessoa real ligeiramente modificado (olá Lynyrd Skynyrd....).
A alegria de uma banda de brothers zeppelianos...Fonte: Billboard.
Melhor artista novo em 2017 (Loudwire Music Awards), com suas canções subindo a top 20, top 10 das paradas rock dos EUA, surge como grande promessa de dias melhores para o rock clássico, mas acompanha, em verdade, nomes mais consistentes no mercado como Rival Sons (que também sofreu comparações com o Led e AC-DC), além de The Anwser, Blues Pills, Temperance Movement, dentre outros. Vamos acompanhar! Eu gostei!

BONS SONS E FELIZ 2018! 7 anos de Blog! Até a próxima pessoal!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Colecionadores de Shows - Eric Adan e Julia Rovena do canal Music's Soul e do Projeto Música para Viagem (MPV)


Continuando com o nosso projeto de entrevistas com amigos blogueiros, youtubers, músicos ou interessados em música e shows, sobre os shows que já foram e histórias sobre concertos, esbarrei com um podcast quase sobre o tema que comecei neste post, sobre Colecionadores de Shows: "Shows de nossas vidas",  terceiro episódio do Podcast Música pra Viagem, em que Julia Rovena, Victor Camilo do canal O que é Müsica?, Duds (do canal Red Behavior) e Eric Adan contam suas grandes experiências em shows musicais. Você escuta esse Ep. deles aqui.  

Conheci Eric e sua irmã Julia pelo canal Music's Soul no twitter, através primeiro de Victor Camilo do canal "O que é Música?", provavelmente por um retuíte de alguém interessado em música, assunto quase predominante no meu twitter pessoal. E a boa notícia pra mim foi ver dois baianos (do interior do Estado - Eunápolis, quase Porto Seguro, rs...) falando sobre música em geral, não somente rock, mas soul, blues, mpb, jazz e música regional, de forma democrática e com conhecimento, além de humildade (Eric é musicista, baterista) e discernimento, sem falar com bom humor. Como falei, em um dos podcasts do canal eles conversaram sobre shows da vida, um tema que venho explorando aqui nesta série de entrevistas que começou com o meu próprio perfil sobre o assunto e já passou pelo João Paulo do blog Ripando (especializado em heavy metal, hard rock, punk e rock clássico) e agora tenho o prazer e o orgulho de apresentar essa divertida e rica entrevista com os irmãos do Music's Soul e do Música para Viagem, que trazem a experiência de amantes da música (e músico tb, como Eric), moradores do interior da Bahia que, somente tem pouco tempo, começa a receber a atenção devida dos artistas internacionais em turnê no Brasil, com suas histórias sobre shows e artistas da nossa música e estrangeiros.



Canais dos Soul'Brothers

Vamos lá, que já falei demais :)

Um breve perfil do entrevistado/Apresentação:
Eric e Julia esperando o Maroon 5 em Salvador

Olá, pessoas. Muito obrigado a Ricardo pelo convite. Bem, nós somos o Eric Adan e a Julia Rovena. Somos irmãos e juntos fazemos o canal Music's Soul, aonde falamos, especificamente, sobre música.

Além disso, somos partes do projeto Música pra viagem, composto por 4 canais sobre música, e aonde hospedamos nosso podcast,o Música para viagem.

Apesar de grande parte de nossos grandes shows termos visto juntos, decidimos responder a entrevista de forma separada, para melhor detalharmos as experiências que tivemos separados. 

Esperamos que curtam.

Julia e Eric cobrindo o Festival de Inverno em Vitoria da Conquista-BA

Quantos shows vocês já viram? Tem uma ideia? Ou ainda, quantos shows por ano, em média, vocês assistem?

Eric Adan - Nossa, são shows demais pra uma vida só. Realmente não tenho ideia, mas imagino que mais de 50 shows. Costumo ir no Festival de Inverno da Bahia que acontece anualmente em Vitória da Conquista. Esse festival conta com, ao menos, 10 shows de headliners. Então, diria que essa é a média. Tem anos que consigo ir em mais shows, mas, como moro no interior da Bahia, o acesso é um pouco mais complicado para mim (e mais caro também).

Julia Rovena - Não tenho ideia de quantos shows eu já vi. Mas creio que um número acima de 100.

Qual foi o seu primeiro show, lembra? Foi legal?

Eric Adan - eu comecei ir em shows muito cedo, mas passei grande parte da minha adolescência em uma religião, o que fez com o que eu perdesse muita oportunidade de grandes eventos. Nessa época eu só ia em shows de bandas cristãs. Eu fui em vários shows que me marcaram, mas não me lembro qual o meu primeiro show da vida.

Julia Rovena - O primeiro show que eu me lembro foi da Mulekada, fui com Eric e eu me diverti muito. Quando acabou o show fomos para o hotel que a banda estava hospedada e conseguimos autógrafos

Rock in Rio ou Lolla? Ou nenhum dos dois, outro festival? 


Eric Adan - Cara, o único festival que eu já fui foi o Festival de Inverno da Bahia. Então para mim esse é o melhor (risos). Agora, eu tenho mais vontade de ir no Lolla do que no RIR, mas fico maluco em casa na época dos dois. Não perco nada.

Julia Rovena - Pode ser os dois? hahaha

Você chega cedo em shows, se organiza para ficar em um local legal,   ou até no "gargarejo", ou chega em cima da hora mesmo, é mais relax com isso?


Eric Adan - Não costumo ir muito cedo ou acampar nem nada desse tipo. Eu gosto de chegar cedo para ficar num lugar aonde eu consiga ver o show todo. Isso é extremamente importante para mim. Gosto de observar os músicos todos, suas técnicas, seus defeitos, reparar pequenos erros, a comunicação da banda no palco, enfim, coisa de músico (risos). Para mim isso é bem mais importante num show do que, necessariamente, ficar perto ou pegar na mão do artista.

Julia Rovena - Depende do show, mas a maioria das vezes chego uma horinha antes para pegar um local bom.

Qual o seu show inesquecível? Tem um Top 3, ou um 'Top Five'?

Eric Adan - A grande maioria de shows que fui na vida são de bandas nacionais. Dá para entender os motivos pelo meu histórico, como contei acima. Mas eu tive a linda oportunidade de ver alguns shows de artistas que sempre fui fã. Apesar de não ser muito de fazer rankings, vou tentar fazer um Top Five:


Eric teve o prazer de ver o U2 (tour Innocence + Experience)
em 2015 no TD Garden em Boston - Foto de arquivo dele

1 - U2
2 - Humberto Gessinger
3 - Djavan
4 - Maroon 5
5 - Roupa Nova


U2 -- Stuck In A Moment (HD) from Boston 07-15-2015 
(Filmed From Section 7 Row 1)

Menção honrosa a alguns inesquecíveis.


- Banda Nemes (uma banda underground de Boston. Foi épico)
- Titãs
- Lulu Santos
- Biquini Cavadão
- Skank
- Zelia Duncan

Julia Rovena 1 - Maroon 5, 2 - Banda Calypso, 3 - Nando Reis, 4 - Legião Urbana.

E o seu pior show, aquela 'roubada total', tem algum que você lembre?

Eric Adan - Cara, eu costumo gostar muito dos shows que eu vou. Não sei se pela vibe ou pelo amor ao ambiente e tal. Realmente eu não me lembro de uma roubada. Assim, um show que foi bem fraco e eu esperava bem mais foi o do "Ira".
Julia Rovena - Tem vários, a maioria incluem bandas de arrocha, salto alto e locais ruins.


Aproveitando o gancho, tem alguma coisa que te incomoda em shows, que mais te irrita hoje em dia?

Eric Adan - Ah, certamente essa mania estupida que a galera tem de querer gravar o show todo no celular. Acho isso tão desnecessário. Tipo, um vídeo ou outro, ok, mas o show todo, é demais. Eu penso assim, se for para ver o show através da tela de um celular, por que não ficar em casa e ver pelo youtube?

Se você pudesse escolher ter estado em um show inesquecível, daqueles relevantes dos anos 60, 70, 80, fora do Brasil ou aqui, de alguma banda/artista ou festival importante, qual seria? 

Eric Adan - Nossa, uma das imagens que mais me arrepiam na vida é o público cantando Love of my life com a regência do Freddie Mercury no Rock in Rio de 1985. Certamente esse é um lugar que eu gostaria de ter estado. Tem também a abertura das Olimpíadas de Barcelona em 1992, quando o Freddie cantou com a Montserrat Caballé. Esse dueto foi coisa de outro mundo.

Festival Outside the Box em Boston - 2015
Já assistiu show no exterior? Se não, você pretende ir a algum festival lá fora? E qual seria?

Eric Adan - Eu tive a oportunidade de estar em Boston no verão de 2015, e acompanhei um festival de música independente que eles tem por lá, chamado Outside the Box. Os shows são gratuitos e no parque central da cidade. Foi uma experiência sensacional, e nesse festival eu conheci uma das minhas bandas favoritas, chamada Banda Nemes, que eu citei em uma das perguntas acima. Nessa mesma época (alias, durante os dias do festival) eu também tive a grande oportunidade de ir no melhor show que eu já fui na vida, o show do U2, no TD Garden. Eu conto essa história em nosso podcast, o Música pra viagem (um jabá gratuito (risos)). Foi algo sensacional e inacreditável.

Julia Rovena - Não, nunca sai do Brasil. 


Eric no TD Garden para ver o U2 em 15.07.2015 - tour Innocence + Experience
Qual o melhor palco/arena para shows que você já esteve? E o lugar mais estranho?

Eric Adan - O melhor, certamente o TD Garden. Claro que não é um espaço para shows, mas funciona perfeitamente.O lugar mais estranho, certamente, foi a concha acústica de Ilhéus- BA. Ô lugarzinho ruim pra shows, apesar de ser uma arena de shows (risos)

Julia e Digão, dos Raimundos, no Festival de Inverno da BAHIA
Julia Rovena - Melhor palco - o do Festival de Inverno 2017. Foi o maior evento de musica que fui e o palco é lindo!
Mais estranho - Não me lembro.

Qual a maior loucura ou 'perrengue' que você já fez por um show/ou passou em um show?

Eric Adan - Olhe, pra te ser bem sincero, não me lembro de nenhuma loucura que tenha feito para ir a um show. Talvez eu deva fazer mais, inclusive (risos). Mas um perrengue que eu passei foi no final do show do Maroon 5 em Salvador, com minha irmã. Na saída do show, não conseguíamos pegar táxi e a fila de engarrafamento estava absurda. Pra ficar ainda melhor, começou a chover, e não sabíamos o que iriamos fazer para voltar pro lugar aonde estávamos ficando. O pior, o lugar ficava a uns 10 minutos de carro, mas não tinha como irmos andando. Resultado, como estávamos perto de um terminal de ônibus, fomos para lá para pensarmos no que iriamos fazer. Lá chegando, descobrimos que alguns ônibus estavam indo para a garagem, então, a viagem até lá seria de graça. A ida até a garagem passaria por onde precisaríamos descer, ou seja, voltamos de graça para casa. 


Qual o artista/banda que você mais viu? 

Certamente o Jota Quest. Devo ter visto umas 6-7 vezes, e eu curto muito, pois em todos os shows eles conseguem entregar algo diferente no palco. Seja em novas roupagens nas músicas, seja em performance mesmo.

Julia Rovena - Banda Calypso, 5 ou 6 vezes. 


Jogo do Vasco em final de campeonato ou Festival de Rock?

Ah, cara. Que tipo de escolha é essa? sacanagem. Mas acho que eu fico com o Vasco, viu? É amor demais, apesar dos pesares.

Julia Rovena - Festival de Rock haha

Qual dica de show imperdível ainda esse ano no Brasil?



Creep - Vintage Postmodern Jukebox Radiohead Cover ft. Haley Reinhart 


Eric Adan - Poxa, infelizmente o show que indicaria já passou. Pela primeira vez a banda Postmodern Jukebox teve no Brasil nesse ano ("O coletivo musical vintage criado em 2011 pelo pianista, arranjador e produtor americano Scott Bradle veio ao Brasil em agosto desse ano. Obrigado Eric pela dica de somzeira!). 
Eles são sensacionais e, com certeza, valeria muito a pena ver um show deles.



Julia Rovena - Coldplay, Dua Lipa e Aurora.

Eric no festival de música de Boston
E para fechar, qual é a sensação de ver um show para vocês?
Eric Adan - Velho, reza uma lenda que certa vez Steve Harris, comparando o show do Iron com o DVD ao vivo da banda, ele teria dito que assistir a um DVD do Iron Maiden ao vivo seria como se masturbar, e ir num show do Iron seria como transar. Os dois são bons, mas o show é indescritível. Para mim, não há analogia melhor do que essa.

Julia RovenaMuito especial, principalmente o momento de entrada do artista/banda quando você se dá conta que ele realmente existe. Me arrepio toda vez que a galera começa a cantar junto, é uma sensação única

É isso aí Julia e Eric, para o blogueiro aqui a sensação é exatamente essa: Mágica! Prazer indescritível por ver na sua frente um ídolo, uma banda que te acompanha desde sempre nos momentos alegres e tristes, nos fones de ouvido, nas caixas de som, no carro, em festas, onde for! A vida sem música diminui de sentido e intensidade, obrigado pela entrevista de vocês, pelas dicas (Postmodern Jukebox, Aurora, etc) e convido a todos os leitores do blog a acessarem os canais dos baianinhos musicais! 

          BONS SONS E SHOWS E ATÉ A PRÓXIMA PESSOAL!


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...